Vale a pena rodar serviços nas grandes gráficas?

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Muitos de nossos leitores aqui no blog, volta e meia comentam em nossos posts problemas que ocorreram ao rodar serviços em grandes gráficas. Com isso, surge uma pergunta natural: Vale a penas rodar serviços nas grandes gráficas?

O que é uma grande gráfica?

Vamos começar definindo aqui o que é uma grande gráfica para este artigo.

Existem muitas grandes gráficas: Gráficas que fazem embalagens, jornais, livros, revistas e as chamadas gráficas comerciais.

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Dentre as gráficas comerciais tem aquelas que lidam diretamente com grandes clientes empresariais e aquelas que preferem fazer serviços padronizados para fazer a venda para pequenas gráficas ou diretamente para os clientes.

Neste artigo chamamos de grandes gráficas estas ultimas, especializadas em distribuir serviços para as demais gráficas.

Chapa varios cartões visita

Como é processo para baratear produtos gráficos?

A maioria das gráficas pega um serviço e distribui o mesmo pela chapa, rodando apenas aquele serviço.

Com isso o impressor consegue controlar as cores e a distribuição na chapa sem maiores problemas, ou seja, a impressão atinge grande qualidade.

Quando a gráfica é pequena e usa máquinas offset de pequeno porte e poucas cores (geralmente monocromáticas), perde-se qualidade devido a problemas de registro entre as várias passadas do papel.

Os distribuidores gráficos conseguem a proeza de conseguir clientes o suficiente para preencher totalmente a chapa, para usufruir da qualidade proporcionadas pelas offset de grande porte.

Com isso podem oferecer cartões e folders em quantidades relativamente pequenas por preços altamente competitivos.

Com o uso das offsets digitais, conseguem competir até mesmo com os impressos de Jato de tinta em pequeníssima quantidade, só que com qualidade infinitamente superior.

Então, simplificando, os distribuidores diminuem o preço de seus produtos através da junção de vários clientes numa mesma chapa.

E quais são os problemas que podem ocorrer?

Ao juntarem vários serviços em uma mesma chapa ocorrem diversos problemas.

O primeiro é que uma chapa com vários trabalhos muito diferentes dificultam em muito o trabalho do impressor, que encontra dificuldade em ajustar a máquina para atingir o máximo de qualidade, principalmente no que tange a distribuição de tinta e dosagem das mesmas.

Um segundo problema são os prazos, pois estas gráficas prometem prazos extremamente apertados, fazendo seus impressores, arte finalistas, e todos os demais funcionários trabalharem num ritmo frenético, muito sujeito a falhas.

Lembramos aqui que o trabalho mandado pelo cliente deve ser revisado pelos arte finalistas que montam as chapas e juntam todos estes serviços, o preparo da chapa exige bastante dos equipamentos devido a grande quantidade de fontes e imagens, nem sempre bem otimizadas. Basta que um trabalho não tenha sido otimizado e cnferido adequadamente para comprometer toda a chapa. Já vi casos de letras saírem fora da área do cartão, invadindo o espaço de outros cartões.

Outro problema é a qualidade das imagens mandadas a gráfica. A maioria pede arquivos em JPG, pois os mesmos apresentam apenas uma única imagem, de pequeno tamanho, facilmente controlável, pois traz a informação de resolução e tamanho. Só que o JPG por definição provoca a perda de parte da informação da imagem e as letras passam a ser imagem (bitmap) comprometendo o contorno das mesmas, principalmente as de menor tamanho.

Na prática, somente os mais experts conseguem ver a diferença, mas é um “defeito” a ser apontado aqui.

A manutenção dos equipamentos é outro problema comum. Como a produção é extremamente grande, é usual se trabalhar em três turnos, rodando direto, sem paradas.

Com isso é normal acontecerem falhas de registro e de distribuição, devido a peças soltas ou mal ajustadas. Muitas vezes, rodam-se muitos Jobs até que seja detectado o problema, devido a alta cobrança de produção.

Podemos apontar também o fator custo, que implica em rodar serviços sem sobras de material, usando 1000 folhas para rodar os 1000 impressos. As perdas ficam para os clientes, que no caso, podem chegar até 10% do serviço… ou seja, compramos 1000 impressos e levamos 900 ou menos.

Por último, e não menos importante, fica o atendimento, que acaba sendo massificado e comprometido. A regra geral passa a ser o cliente nunca tem razão e reimprimir jamais. O máximo que é dado é um desconto no serviço geral, para a próxima impressão, o que não resolve o lado do cliente, pois como é outra gráfica, vai ter que encarar de frente seus clientes para tentar fazer o mesmo, ou terá que rodar novamente o serviço por sua própria conta.

erro gráfico

O que estes problemas significam para o cliente?

Aqui devemos separar os clientes em dois tipos: Cliente individual e pequenas gráficas.

O cliente individual, ao rodar serviços nestas gráficas, fica a mercê da sorte.

Caso saiba o que está fazendo, pode se prevenir, fechando as artes exatamente como é pedido e correndo os riscos inerentes do processo. Vai ter que contar com a sorte se a máquina offset e impressor estão num bom dia.

Na maioria das vezes o cliente está vendo apenas o preço e está se aventurando pela primeira vez no mundo gráfico. Muitos nunca rodaram um serviço em outras gráficas e acham que uma “arte” feita no Word é o suficiente… ao tentarem burlar as regras, fechando arquivos com impressoras PDF virtuais a partir destes programas, estão provocando grandes erros para si mesmos e para os demais usuários daquela chapa.

Com isso o cliente individual, ao rodar nas grandes gráficas, está totalmente perdido e tem grandes chances de ser mal atendido.

As pequenas gráficas, geralmente, já tem algum conhecimento de fechamento de arquivos, ou possuem profissionais que os ajudam neste processo. Como o número de serviços já atinge algum volume, uma perda eventual de um ou outro serviço, fica minimizada pelos outros serviços que rodaram sem problemas.

O resultado geralmente é excelente! Mas cai drasticamente ao chegar períodos eleitorais e festas de fim de ano, onde a demanda por serviços gráficos aumenta, pressionando ainda mais os prazos das grandes gráficas.

As pequenas gráficas, devem tomar muito cuidado com os trabalhos que fogem do seu padrão. Se sempre rodam pequenos serviços, devem tomar cuidado redobrado naqueles serviços de grande porte (principalmente na primeira vez), pois um erro nestes pode provocar grandes prejuízos. É uma boa praxe, ou garantir o valor reservado aos custos, ou optar por rodar, pagando um pouco mais, numa gráfica de bom porte que trabalhe com máquinas grandes e que possa rodar o seu trabalho com bastante atenção e cuidado.

Fica aqui o recado! Clientes individuais devem evitar as gráficas grandes, para não ter dor de cabeça. Pequenas gráficas devem rodar com cuidado, para se habilitarem a fazê-lo com riscos mínimos, assumindo pequenas perdas eventuais e devem se prevenir em grandes trabalhos, que possam provocar grandes perdas.

Atendimento! O grande problema!

Aqui mora o grande problema das gráficas grandes!

Com a massificação de clientes e muita falta de controle, as gráficas grandes perdem a noção de quem são seus principais clientes e aqueles que são apenas clientes ocasionais.

Com isso, todos são tratados de maneira uniforme, geralmente abaixo das expectativas dos clientes.

Os erros são uma heresia. É proibido assumir erros, mesmo os mais pertinentes e visíveis.

Devoluções de dinheiro, acho que até na justiça são raridades, pois as normas técnicas de impressão são extremamente evasivas e dificilmente pode-se provar os erros por falta de peritos na área. Acaba sendo a palavra de um contra o outro.

O contato com estas gráficas geralmente é apenas no site ou com a equipe que recebe os pagamentos e entrega os produtos. As soluções de problemas são grande fonte de atritos.

Uma relação duradoura com a gráfica ajuda, mas não em 100% dos casos.

Não espere grandes progressos nesta área!

Vale a pena rodar  serviços nestas gráficas?

A resposta é depende!

Direi SIM caso você seja uma pequena gráfica ou designer, que rode recorrentemente os serviços. Mas vale o aviso que vocês devem ratear os valores das perdas no montante dos serviços. Destine algo como 10% do valor do custo e deixe reservado para eventuais perdas. E cuidado redobrado nos grandes serviços, cujo o valor exceda em muito esta reserva de emergências e nas épocas eleitorais e natalinas, principalmente no caso de prazos.

Direi NÃO caso você seja um cliente individual. Nesta caso a melhor coisa a fazer é ter acessória de uma gráfica de pequeno porte ou designer. Muitos trabalham por preços pouco superiores aos destas gráficas, pois se especializaram neste tipo de serviço. Eu mesmo fui um destes por vários anos e existem muitos outros no mercado.

Conclusão

Terminando este post fica aqui minha orientação quanto ao uso ou não das gráficas de grande porte.

Para muitos pode ser melhor ideia terceirizarem parte do serviço para evitar dores de cabeça.

Para outros pode ser uma boa oportunidade de crescimento, deixando de se preocupar com o processo gráfico em si e se especializando no atendimento ao cliente final.

No fim, acaba valendo mais a pena, trabalhar com uma margem mais larga, trabalhando no atendimento, do que entrar na grande disputa de custos que as grandes gráficas travam entre si.

Espero ter podido ajudar a vocês, leitores, nesta dúvida.

Até o próximo post.

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5 COMMENTS

    • Adão,
      Entenda que existem os bureaus de serviço (copiadoras e arte finalistas), as pequenas gráficas (que viviam de talões e cartões tipográficos e pequenos serviços monocromáticos) e os grandes distribuidores gráficos.
      Os grandes distribuidores jogaram os preços dos produtos coloridos tão para baixo que permitem todos a terem produtos de qualidade a baixo custo.
      A pequena gráfica ficou sem os talões, pois as notas fiscais praticamente sumiram do mercado, ninguém mais compra cartão tipográfico a centenas de reais pelo cento, tendo um cartão verniz local colorido a milheiro por praticamente o mesmo preço e os antigos receituários monocromáticos estão sendo substituidos pelos coloridos.
      Ou seja, o que a pequena gráfica vai fazer para sobreviver.
      Aquelas que se tornarem super bureaus vão viver. As que pararem no tempo vão fechar por falta total de serviço.
      Assim, os pequenos bureaus vão ficar responsáveis pelas pequenas tiragens, revenda de material das grandes e arte final e atendimento a cliente. As grande vão se especializar em atender os bureaus com os produtos coloridos e as pequenas vão fechar.
      Já existem equipamentos pequenos capazes de fazer impressão de talões numerados coloridos… é o fim das pequenas gráficas… basta os bureaus perceberem o nincho em aberto de declararem o fim das pequenas de vez.
      Abraços,

  1. boa tarde Paulo,
    legal a iniciativa de falar sobre o ramo grafico juntando informações para todo o publico.
    mas gostaria de fazer uma observação. na parte “E quais são os problemas que podem ocorrer?” que li por interesse maior do que as outras, achei bem confuso. no inicio mesmo, falando sobre chapas, se eu fosse um cliente lendo isso não entenderia bulufas hehe, e eu que trabalho em grafica quase entendi, quase.
    desculpe se não me expressei bem, resumidamente queria falar que está confuso, mas tem muita informação boa.

    abraço.

    • Walter,
      Realmente nesta postagem pode estar confuso.
      Temos outras postagens que falam de outras formas, explicando melhor o processo.
      O blog deve ser analisado como um todo e não tem como aprofundar o assunto em todas as postagens… o post não teria fim.
      Tenho uma postagem somente com o processo de gravação de chapas e outro com a junção de serviços numa mesma chapa. Dá uma olhada neles.
      Mas valeu pela observação… vou reler o post e ver se tem como melhorar e talvez apontar os links das outras postagens.
      Abraços,

      • Paulo,
        claro, da mesma forma que fazem os escritos atualizando suas edições 🙂
        aos poucos se aproxima da excelência.

        Abraço.

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